À BBC, Laura Sides contou que herdou uma alteração genética associada à doença do pai e passou a repensar relações, maternidade e prioridades.
Laura Sides, de 43 anos, relatou à BBC News como a descoberta de uma alteração genética associada ao Alzheimer precoce mudou seus planos e sua maneira de viver. Em reportagem publicada em 5 de novembro de 2026, ela contou que decidiu fazer o exame após acompanhar a doença do pai e que hoje procura dedicar mais tempo às pessoas e às atividades que lhe trazem felicidade.

Informações divulgadas
Foi durante uma consulta do pai que um médico informou a Laura que ela tinha 50% de chance de desenvolver o mesmo tipo de Alzheimer precoce, conhecido como variante London. Segundo ela, a preocupação com o estado dele era tão intensa que, naquele momento, acabou deixando a informação em segundo plano.
O pai morreu em 2009, um ano depois da morte da mãe. Laura então iniciou uma viagem sozinha pelo mundo e acabou se estabelecendo em Melbourne, na Austrália. Em 2013, procurou um especialista. Segundo seu relato, ele explicou que um teste poderia determinar com 99,999% de certeza se ela herdaria a condição e estimou um possível início do declínio entre 46 e 48 anos, caso tivesse o gene.
Inicialmente, Laura preferiu não fazer o exame. Ao entrar na faixa dos 30 anos, porém, decidiu que queria saber. Passou por seis meses de aconselhamento genético e esperou outras seis semanas pelo resultado. Ela entrou sozinha na consulta em que recebeu a notícia de que havia herdado o gene.
Ela participou de estudos médicos em diferentes países, antes e depois do diagnóstico genético, e encontrou nessa participação uma experiência positiva em meio à situação difícil. Atualmente, é chef e divide com duas amigas um café-restaurante e um negócio de serviços de alimentação para eventos.
Suas prioridades hoje incluem estar perto de quem ama, aproveitar a natureza e nadar no maior número possível de mares. Ao falar sobre o futuro, Laura valoriza os pequenos prazeres e o tempo compartilhado com pessoas que a fazem se sentir segura.
Contexto
O pai, que era médico, recebeu o diagnóstico de uma forma rara de demência quando tinha cerca de 40 anos. Laura havia acabado de completar 21 anos quando começou a cuidar dele. Com o agravamento dos sintomas, deixou a universidade. Apesar das dificuldades, guarda lembranças afetuosas desse período, como passeios a um farol, músicas e os cuidados durante o banho.
O que muda para a população
Laura disse que a reação emocional não veio imediatamente: depois da consulta, almoçou com uma amiga. Mais tarde, sentiu raiva, injustiça e confusão sobre como seguir vivendo com aquela informação. Também passou a sentir vontade de voltar ao Reino Unido, especialmente porque a irmã estava grávida.
Aos 43 anos, Laura está a três anos da idade inicial prevista pelos médicos para o aparecimento de sintomas. Essa previsão não é apresentada como um declínio já ocorrido. Ela relata dificuldades para contar sua condição a novos parceiros, mas também experiências de acolhimento. A maternidade, que sempre imaginou para si, tornou-se uma escolha dolorosa da qual decidiu abrir mão.
Fontes
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